O Futuro da Indústria Gráfica

Existe uma grande discussão se o papel vai resistir a era digital. Sim, acredito que o papel e a indústria gráfica tem futuro promissor no Brasil e no mundo.
O papel impresso é a ferramenta mais eficaz para a comunicação e temos no Brasil um potencial enorme de crescimento de leitura em camadas inferiores da população.
Estudos e pesquisas mostram que a mídia impressa é o principal recurso de marketing das empresas, consumindo pelo menos 50% do orçamento global de comunicação. Ela ainda é a ferramenta com maior retorno para a comunicação B-to-C e muitas empresas que tinham parado de imprimir catálogos, por exemplo, voltaram a fazê-lo a partir de 2015. O impresso deve atrair para as lojas online e offline, aumentando o tráfego e o valor do ticket médio. A comunicação só será eficiente se estruturada com a mídia impressa e outras mídias , conforme estudos divulgado na última feira da indústria gráfica Drupa 2016, em Dusseldorf. Também durante a feira , foi destacado a força da credibilidade da informação impressa . A percepção é que o impresso tem mais confiabilidade que a informação on line . Além da credibilidade , o consumidor se concentra mais e com mais atenção capta melhor o conteúdo impresso .

 Mesmo com toda a concorrência da internet, o papel ainda é uma mídia muito forte. Nosso consumo anual é de 55kg por habitante. Se compararmos com a França, que chega a 170 kg por habitante apenas em impressos promocionais, nossa capacidade de crescimento é muito grande. Uma melhora sócio-economica e na educação de nossa população, gerará um crescimento imediato no consumo do papel.

Atualmente, apenas 26% da população é plenamente alfabetizada (INEF 2011/2012). Hoje temos um potencial de 150 milhões de brasileiros que de alguma forma poderiam consumir mais impressos.

Na área editorial, segundo matéria publicada no New York Times em setembro de 2015, as vendas de e-books, caíram 10,5% nos EUA nos primeiros cinco meses daquele ano. Os dados são da Association American Publishers (APP). A conclusão do artigo é que a queda nas vendas de livros digitais poderia indicar que parte dos leitores de livros eletrônicos estaria voltando suas preferências novamente para o impresso, ou, pelo menos, se tornando leitores híbridos. Um reflexo disso foi o que a Amazon, pioneira mundial na venda de e-books, abriu sua primeira livraria para vender livros impressos. A empresa planeja abrir 300 dessas lojas nos EUA. No Brasil, embora em crescimento, a participação dos livros eletrônicos no mercado editorial continua irrelevante. Independentemente das interpretações e análise dos dados, o fato é que o livro impresso continua firme, 22 anos após o aparecimento do primeiro e-book.

Apesar do impacto das novas mídias, ainda temos grandes oportunidades para a expansão das gráficas brasileiras em diversos segmentos . O setor de embalagem tem crescido acompanhando o crescimento do PIB. Outros segmentos, como PDV (ponto de vendas), impressão em materiais novos como pisos, painéis e acessórios de automóveis, circuitos e componentes eletrônicos, tecidos e roupas crescem a ritmo de dois dígitos.

Por tudo isso ,  mesmo com uma possível diminuição da demanda do mercado editorial e publicitário nos últimos anos , acredito na volta do mercado gráfico a um patamar superior ao de hoje. A história mostra que mídias mais tradicionais como cinema, televisão e rádio sobreviveram com o surgimento de novas tecnologias. Vida longa ao impresso.
Fernando Garbarski
Diretor Impresul