Imprimir dinheiro ou fazer dívida?

Imprimir dinheiro ou fazer dívida

Em momentos excepcionais, como guerras, pandemias e pós-guerras, notoriamente governos, por um determinado espaço de tempo, se veem obrigados a usar dois mecanismos monetários perversos (na maioria das situações) para aliviar o sofrimento de sua população: dívida através de seus bonds, ou impressão de dinheiro pelos seus bancos centrais.

Isso acontece porque, nestes períodos, o desemprego explode e a única solução que os governos têm no momento para amainar a fome e necessidade básica do povo são essas. O povo precisa de dinheiro por falta de trabalho e o helicopter money é necessário. Além da necessidade de socorro a empresas e sistema financeiro. Tudo isso exige montanhas de dinheiro que não cabem no orçamento público.

A pergunta que todos fazem é: qual o problema de usar esses mecanismos, imprimir dinheiro e fazer dívidas públicas? A teoria básica econômica mostra que emissão de dívida, futuras gerações pagarão por essa dívida e, provavelmente, países muito endividados têm capacidade menor de crescimento ou até mesmo enfrentar períodos de recessões mais severas. Já impressão de dinheiro, o custo não é jogado para gerações futuras. Quem paga a conta é a sociedade com inflação corrente.

Então qual é a melhor solução? Eu acredito que a combinação de ambas. Uma inteligente calibragem entre dívida e impressão de dinheiro. Como em situações extremas, a economia está muito paralisada, o aumento de dinheiro em circulação sendo bem calibrado, não gera inflação. Olhem a crise do subprime em 2008. O FED conduziu o aumento monetário de forma brilhante. O sistema produtivo deu conta do recado e a inflação não apareceu. Por outro lado, uma ampliação em 10 % da dívida/PIB também é perfeitamente absorvível em situações extremas. Então, SIM a impressão de dinheiro e endividamento controlado para enfrentar a crise. Com um sistema produtivo de insumos básicos a pleno, continuaremos exportando nossas commodities e mantendo nossa balança comercial saudável e déficit em transações correntes perto de zero, não seremos uma Venezuela. Então, sim à impressão de dinheiro e endividamento público em período de guerra!

Fernando Garbarski
Diretor Impresul Gráfica E Editora